Multi-modal coupling in musical performance
Davi Alves Mota · Americanae (AECID Library) · 2017
A manipulação de parâmetros acústicos em performances musicais é uma estratégia amplamente utilizada pelos músicos para demonstrar suas intenções expressivas. No caso de conjuntos instrumentais, a coordenação dessas manipulações entre os músicos é crucial para a realização da performance. Durante uma performance em grupo, os intérpretes fazem uso de informações visuais e acústicas transmitidas continuamente por outros intérpretes para melhorar sua sincronização. Neste trabalho, propomos investigar a sincronização/coordenação interpessoal em pequenos grupos musicais e o papel da comunicação gestual entre os membros do conjunto. Para tanto, adotamos duas abordagens complementares, a análise dos movimentos corporais dos músicos e a análise dos parâmetros acústicos extraídos do sinal de áudio. Pode-se argumentar que, no caso de performances em grupo, a informação visual tem um papel crucial na coordenação de eventos musicais. No entanto, músicos também são capazes de acompanhar outros músicos escutando apenas sinais acústicos. Esta condição de performance tornou se trivial como consequência do crescimento da indústria musical, onde a demanda por perfeição e a necessidade de baixar os custos levaram a um aumento no número de gravações feitas em estúdio. Além disso, difer entes tipos de movimentos corporais não diretamente ligados à produção de som podem ser constantemente observados em qualquer performance instrumental, mesmo em performances solo. Na verdade, como apontado por Gabrielsson (2003, pag. 249), o movimento realizado por um músico, além de comunicar informações relevantes para a coordenação com os outros, pode também assumir diferentes papéis, como comunicar intenções expressivas, fornecer informações sobre a personalidade do artista ou simplesmente entreter o público. Ao longo dos últimos anos, grandes esforços foram dedicados ao estudo desses movimentos e, embora não haja consenso sobre suas origens ou papéis, sua existência é inegável (M. M. Wanderley & Depalle, 2001). Esta tese é inspirada por resultados de trabalhos anteriores (P. Keller et al., 2007; P. Keller & Appel, 2010; M. A. Loureiro et al., 2012), que argumentam que os músicos ao tocar em conjunto tentam adaptar suas ações às ações dos outros e que a qualidade desse ajuste pode ser afetada também por seus movimentos. Neste trabalho tentamos rever diferentes aspectos que integram a construção de uma performance em conjunto e mapear sua relevância para o ajuste entre músicos.