The poetics of noise

Lauro Iglesias Quadrado · Americanae (AECID Library) · 2018

Esta tese gira em torno da obra do escritor estadunidense John Dos Passos (1896-1970), mais especificamente em torno de seu romance Manhattan Transfer (1925). Esta investigação é uma leitura crítica de sua ficção, especialmente no que toca à intensidade de experiências auditivas promovidas pelo autor, em sua maioria baseadas em passagens perturbadoras e ruidosas, representativas da experiência metropolitana do começo do século XX em Nova York. O arcabouço crítico e teórico utilizado varia desde as escolas literárias tradicionais de análise textual, crítica em âmbito público até os Estudos de Som e abordagens de intermidialidade. Com esse apoio, o ruído trazido por Dos Passos pode ser listado sob variadas categorias: o uso de canções e diferentes estilos de música popular da época; a impossibilidade de silêncio; o incômodo do ruído urbano, produzido por máquinas ou pessoas; a audiografia dos personagens, com a transliteração dos sotaques e línguas estrangeiras das personagens. A provocação sonora é contextualizada, visto que Manhattan Transfer foi escrito após a invenção e a popularização do fonógrafo como um aparelho doméstico, que fornecia uma possibilidade inaudita para que se pudesse escutar música em casa a qualquer hora, dando acesso a novas possibilidades de relacionar-se com som para as pessoas em geral. Esta pesquisa segue as narrativas-fonógrafo de Dos Passos, investigando o interesse do autor em sons que eram desprezados ou deveriam ser eliminados da constante mecanização da sociedade do século XX. As idiossincrasias de sua ficção são analisadas em conjunto com a representação do ruído como uma perturbação social, um elemento indesejado que torna a interação humana problemática, porém chave para apreender as relações entre personagens no romance. As perturbadoras impressões acústicas comunicam, em sua literatura, um estado de fragmentação e empolgação dos humanos da modernidade. Finalmente, esta tese aspira recuperar a obra de John Dos Passos, trazendo-a de volta às discussões literárias acadêmicas e generalizadas, opondo tendências em teoria e crítica que vinham, nas últimas décadas, gradualmente relegando sua obra à obscuridade. Este texto argumenta que a presença da obra de Dos Passos tem sido relevante e aplicável a objetos estéticos produzidos além dos anos modernistas, atingindo pertinência contemporânea.

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